Uma apresentação dos esforços em curso de reforma das Nações Unidas - tanto
aqueles que se referem à modernização da Organização, promovidos pelo Secretário-Geral
Kofi Annan, como os que se relacionam à ampliação do Conselho de Segurança - não pode
prescindir de uma análise, ainda que breve, da evolução recente do quadro internacional e
de sua repercussão sobre o funcionamento da ONU.
Como sugere o editor da revista "Foreign Affairs", Fareed Zakaria, a História das
Nações Unidas conheceu dois momentos privilegiados: o primeiro, logo após o fim da II
Guerra Mundial, e o segundo após o fim da Guerra Fria. Em ambos os casos, durante um
curto período, as oportunidades abertas para a diplomacia multilateral pareceram
ilimitadas.
O fim da Guerra Fria não teve seu Congresso de Viena, nem seu Versalhes ou sua
Conferência de São Francisco. Mas a reunião de cúpula do Conselho de Segurança de
janeiro de 1992, a única na História do órgão em mais de meio século de existência, pode
servir de ponto de partida para um exame das marchas e contra-marchas pelas quais vem
passando a Organização, na atual década, ao procurar ajustar-se a um cenário mundial
ainda em transição. A declaração adotada pelos quinze Chefes de Estado e Governo dos
países, que então integravam o Conselho de Segurança, se regozijava ante "as melhores
perspectivas para alcançar a paz e segurança internacionais desde a criação das Nações
Unidas".
A cimeira do Conselho de Segurança de princípios de 1992 pode ser vista, assim,
como o grande encontro multilateral celebratório de uma nova era, tornada possível pela
dupla vitória do "ocidente" contra o comunismo da União Soviética e contra a agressão
iraquiana. Embora estivesse claro que uma única potência - os Estados Unidos - se havia
transformado no centro de uma estrutura mundial de poder que tendia para a unipolaridade,
não parecia haver incompatibilidade entre essa circunstância e a revitalização do
multilateralismo onusiano.
O Secretário-Geral Boutros-Ghali, que acabara de assumir o cargo, captaria essa
euforia em seu relatório intitulado "Uma Agenda para a paz", divulgado em meados de
1992. Sob o signo da ideologia ativista (alguns diriam intervencionista), desse documento
proliferariam as operações de paz das Nações Unidas, que passariam a atuar nos mais
variados quadrantes, ocasionando o que a revista "the Economist", em recente artigo,
apelidou de uma fase de "imperialismo da ONU".
Aluno:Thomas Mattuella Macena
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